terça-feira, 22 de agosto de 2017

RIO GRANDE DO SUL E A DESTRUIÇÃO DA MATA ATLÂNTICA

Ibama embarga 1,2 mil hectares por supressão ilegal da Mata Atlântica e aplica R$ 9,4 milhões em multas no RS
Ibama embarga 1,2 mil hectares por supressão ilegal da Mata Atlântica e aplica R$ 9,4 milhões em multas no RS
Foto: Ibama
Operação de combate à supressão ilegal da Mata Atlântica realizada pelo Ibama na região sul do país resultou no embargo de 1.225 hectares e na aplicação de 16 autos de infração que totalizam R$ 9,4 milhões. Cada hectare equivale à área de um campo de futebol.
A partir de imagens de satélite, agentes ambientais identificaram as vinte maiores áreas de supressão no nordeste do Rio Grande do Sul. A região abriga formações vegetais ricas em biodiversidade, conhecidas como campos de altitude, que ocupam cerca de 1,3 milhão de hectares, ameaçados pela expansão da atividade agrícola.
A Nova Lei Florestal (Lei 12.651, de 2012) estabelece que a supressão de vegetação nativa para uso alternativo do solo, de domínio público ou privado, dependerá de inscrição no Cadastro Ambiental Rural (CAR) e de prévia autorização do órgão estadual competente. A Lei da Mata Atlântica (11.428/2016) só admite a retirada de vegetação nativa em casos excepcionais.
Em regra, a supressão vegetal não é autorizada para campos de altitude em estágio médio ou avançado de regeneração. Ou seja, campos nativos não suprimidos até a edição da Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) n.º 423/2010 e historicamente utilizados para atividade pecuária.
“O monitoramento e a fiscalização serão mantidos. O Decreto 6.514/2008 estabelece multa de R$ 7 mil por hectare para destruição desse tipo de vegetação nativa e embargo da área para recuperação ambiental”, disse o chefe da Divisão Técnico-Ambiental do Ibama no Rio Grande do Sul, Rodrigo Dutra, que coordena a Operação Campereada.
Fonte: Ibama
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 21/08/2017

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

domingo, 20 de agosto de 2017

RESSACA DANIFICA TRECHO DA ENSEADA DE BOTAFOGO.

Ressaca danifica trecho da Enseada de Botafogo, artigo de José Eustáquio Diniz Alves


Ressaca danifica trecho da Enseada de Botafogo, artigo de José Eustáquio Diniz Alves
[EcoDebate] O fim de semana passado foi de ressaca no Rio de Janeiro, com ondas de até 4 metros. A Marinha do Brasil avisou que o fenômeno afetaria a cidade entre os dias 12 e 14 de agosto de 2017. A Prefeitura do Rio recomendou aos cariocas, fluminenses e visitantes ficarem distantes dos mirantes da orla ou de locais próximos ao mar durante o período de turbulência marinha.
O balanço da segunda-feira mostrou que a entrada da Baía da Guanabara foi bastante atingida. As ondas fortes arrastaram pedras para a praia do Flamengo, além de uma grande quantidade de lixo. Equipes da Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana) foram mobilizadas para limpar o local.
Um local que corre sério risco de erosão devido à força das ressacas é o dique de contenção que protege as pistas do Aterro do Flamengo, na Enseada de Botafogo, na altura do monumento Estácio de Sá (fundador da cidade do Rio de Janeiro).
A pista de caminhada e ciclismo que contorna a praia de Botafogo, especialmente em frente ao Morro da Viúva, está a dois metros do nível do mar e acima também das pistas do Aterro do Flamengo, que fazem a ligação do Centro para Copacabana, Lagoa e outros bairros da Zona Sul. As pistas funcionam como um dique que contém as águas e protege o bairro do avanço do mar.
Se a força da ressaca destruir os diques de proteção, o efeito sobre a mobilidade urbana pode ser desastroso. Existem muitas pedras protegendo a pista e os arrimos construídos para garantir a manutenção da pista. Porém, é difícil conter a fúria do mar, se não for feita uma manutenção adequada.
Como mostram as fotos acima, a ressaca do último fim de semana provocou rachaduras no dique de proteção e ameaçam a pista de caminhada e ciclismo. Se nada for feito para reparar os danos, uma próxima ressaca pode provocar uma erosão ainda maior e inundar toda a pista de trânsito do Aterro do Flamengo. Como morador do bairro, já comuniquei verbalmente o ocorrido ao administrador do Parque e escrevi um e-mail para a Secretaria de Obras da Prefeitura.
O Rio de Janeiro é uma cidade que vai enfrentar problemas de erosão cada vez mais sérios, devido ao aquecimento global e ao consequente aumento do nível do mar. Nos próximos anos e nas próximas décadas os desastres ambientais vão se agravar e no futuro a cidade pode ficar inviável, se as metas do Acordo de Paris não forem alcançadas e aprofundadas.
O problema não é de apenas uma cidade. As praias do Rio de Janeiro e da maioria dos aglomerados urbanos do planeta correm o risco de serem “varridas do mapa”. Este processo pode ser socialmente grave na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, que é a maior e mais complexa aglomeração urbana da zona costeira brasileira, com mais de 12 milhões de habitantes.
Os professores Orrin Pilkey, da Universidade de Duke, nos EUA, e Andrew Cooper, da Universidade de Ulster, no Reino Unido, lançaram o livro “The Last Beach”, em que mostram que as intervenções humanas nas áreas costeiras, junto com a elevação do nível do mar e as tempestades e furacões, por conta das mudanças climáticas, estão provocando vasta erosão de areia em direção ao fundo dos oceanos, promovendo a “varredura” do solo costeiro. Para eles, a sentença de morte já foi proclamada para grandes extensões de praias densamente povoadas.
As estradas, as barreiras e os muros de concreto erguidos pela civilização para proteção contra as tempestades e elevação das águas são incapazes de deter as ondas e servem apenas para acelerar o processo de erosão dos terrenos litorâneos. As barreiras colocadas pelo ser humano fornecem o cenário para as destruições daquilo que foi construído em áreas de baixa altitude. Provavelmente, a subida dos oceanos será impiedosa com as construções antrópicas.
Se o nível dos oceanos subir 2 metros o impacto será devastador para a região metropolitana do Rio de Janeiro. Enquanto isto não acontece, a prefeitura precisa fazer a manutenção das barreiras que protegem o fluxo de pessoas e do trânsito. O estrago que aconteceu no último fim de semana no Aterro do Flamengo foi relativamente pequeno. Mas, se a erosão não for reparada rapidamente, uma nova ressaca pode provocar um rombo muito maior, com grandes prejuízos para as pessoas e a própria prefeitura que, em crise financeira, terá que desembolsar recursos mais vultosos.
Referências:
Orrin H. Pilkey Jr J. Andrew G. Cooper. The Last Beach. Duke University, 2014
https://www.amazon.com/Last-Beach-Orrin-Pilkey-Jr/dp/0822358093
ALVES, JED. Rio debaixo d’água e o fim da praia de Copacabana, Ecodebate, RJ, 14/12/2016
https://www.ecodebate.com.br/2016/12/14/rio-debaixo-dagua-e-o-fim-da-praia-de-copacabana-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/
ALVES, JED. A translação do oceano no Leblon e a erosão do litoral brasileiro, Ecodebate, RJ, 03/11/2016
https://www.ecodebate.com.br/2016/11/03/a-translacao-do-oceano-no-leblon-e-a-erosao-do-litoral-brasileiro-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/
 José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br
 in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 17/08/2017

MUDANÇAS CLIMÁTICAS E O FLUXO DE ÁGUA.

Mudanças Climáticas: Estudo estima a tendência de inundações mais intensas nas cidades e secas nas áreas rurais


University of New South Wales*
Uma análise global exaustiva das chuvas e dos rios mostra sinais de uma mudança radical nos padrões de fluxo, com inundações mais intensas nas cidades, acompanhadas de um campo mais seco.

Avaliação global de inundações e tempestades extremas com temperaturas aumentadas - Precipitação e de vazão de escala com a temperatura para os 99 ° percentil. ( A ) dimensionamento precipitação. ( B ) Escala de fluxo de fluxo. ( C ) Densidade de probabilidade dos coeficientes de escala para a América do Nordeste. ( D ) Densidade de probabilidade dos coeficientes de escala para a Alemanha. ( E ) Densidade de probabilidade dos coeficientes de escala para o sudeste da Austrália. O dimensionamento foi calculado usando regressão quantile e interpolado usando uma spline de alisamento de placas finas
Avaliação global de inundações e tempestades extremas com temperaturas aumentadas – Precipitação e de vazão de escala com a temperatura para os 99 ° percentil. ( A ) dimensionamento precipitação. ( B ) Escala de fluxo de fluxo. ( C ) Densidade de probabilidade dos coeficientes de escala para a América do Nordeste. ( D ) Densidade de probabilidade dos coeficientes de escala para a Alemanha. ( E ) Densidade de probabilidade dos coeficientes de escala para o sudeste da Austrália.
Solos mais secos e fluxo de água reduzido nas áreas rurais, ao mesmo tempo que chuvas mais intensas sobrecarregam as infraestruturas, causando inundações e transbordamentos de águas pluviais nos centros urbanos. Essa é a descoberta de um estudo exaustivo dos sistemas pluviais, com base em dados coletados de mais de 43 mil estações de precipitação e 5,3 mil sites de monitoramento de rios em 160 países.
O estudo, realizado por engenheiros da Universidade de Nova Gales do Sul em Sydney e que aparece na última edição da revista Scientific Reports , explorou como o aumento das temperaturas locais devido à mudança climática pode afetar os fluxos dos rios.
Como esperado, encontrou temperaturas mais quentes levando a tempestades mais intensas, o que faz sentido: uma atmosfera aquecida significa ar mais quente e o ar mais quente pode armazenar mais umidade. Então, quando as chuvas vêm, há muito mais água na atmosfera e, portanto, a chuva é mais intensa.
Mas houve um quebra-cabeça crescente: por que as inundações não aumentam na mesma taxa que a maior precipitação?
A resposta acabou por ser a outra faceta do aumento das temperaturas: mais evaporação de solos úmidos faz com que se tornem mais secas antes de ocorrer qualquer nova chuva – solos úmidos que são necessários nas áreas rurais para sustentar vegetação e gado. Enquanto isso, pequenas bacias hidrográficas e áreas urbanas, onde há extensões limitadas de solo para capturar e reter a umidade, os mesmos aguaceiros intensos tornam-se inundações igualmente intensas, com força esmagadora na infraestrutura esmagadora de águas pluviais..
“Uma vez que analisamos a massa de dados, esse padrão foi muito claro”, diz Ashish Sharma, professora de hidrologia da Escola de Engenharia Civil e Ambiental da UNSW. “O fato de confiar nos dados de fluxo e precipitação, observados em todo o mundo, em vez de simulações de modelos, significa que estamos vendo um efeito do mundo real – um que não era aparente antes”.
“É um duplo golpe”, disse Conrad Wasko, principal autor do trabalho e pós-doutorado no Centro de Pesquisa de Água da UNSW. “As pessoas estão migrando cada vez mais para as cidades, onde as inundações estão piorando. Ao mesmo tempo, precisamos de fluxos adequados nas áreas rurais para sustentar a agricultura para abastecer essas populações urbanas em expansão”.
O dano global para inundações custou mais de US $ 50 bilhões em 2013. Espera-se que isso seja mais que duplicado nos próximos 20 anos, à medida que as tempestades extremas e as chuvas se intensificam e um número crescente de pessoas se deslocam para os centros urbanos. Enquanto isso, a população global nos próximos 20 anos deverá aumentar mais 23% dos 7,3 bilhões para 9 bilhões de hoje – exigindo maior produtividade e, portanto, maior segurança hídrica. A redução dos fluxos observados por este estudo torna este um desafio ainda maior do que antes.
“Precisamos nos adaptar a essa realidade emergente”, disse Sharma. “Talvez devemos fazer o que foi feito para tornar habitáveis os locais inabitáveis: recursos de engenharia para garantir um acesso estável e controlado à água. Lugares como a Califórnia, ou grande parte da Holanda, prosperam devido à engenharia civil extensa. Talvez um esforço semelhante seja preciso para lidar com as consequências de um clima em mudança, ao entrar numa era em que a disponibilidade de água não é tão confiável quanto antes “.
“A mudança climática continua a nos entregar surpresas desagradáveis”, diz Mark Hoffman, Decano de Engenharia da UNSW. “No entanto, como engenheiros, nosso papel é identificar o problema e desenvolver soluções. Conhecer o problema é muitas vezes a metade da batalha, e esse estudo definitivamente identificou o principal”.
Os dados de precipitação utilizados no estudo foram coletados da Rede Global de Climatologia Histórica, que contém registros de mais de 100.000 estações meteorológicas em 180 países e é administrado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA. Os dados do fluxo do rio vieram do Banco de Dados de escoamento global, administrado pelo Instituto Federal de Hidrologia da Alemanha, que depende das informações de descarga dos rios, coletadas diariamente ou mensalmente de mais de 9.300 estações em 160 países.
Referência: Conrad Wasko et al, Global assessment of flood and storm extremes with increased temperatures, Scientific Reports (2017).
DOI: 10.1038/s41598-017-08481-1    http://dx.doi.org/10.1038/s41598-017-08481-1
Fonte: University of New South Wales
 * Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 17/08/2017

MUDANÇAS CLIMÁTICAS : REDUÇÃO DA PRODUTIVIDADES DAS PRINCIPAIS CULTURAS.

As mudanças climáticas reduzirão a produtividade das principais culturas, como trigo, arroz e milho


Plantação de milho
Foto: Elza Fiuza, ABr/EBC
As mudanças climáticas terão um efeito negativo sobre as principais culturas, como o trigo, o arroz e o milho, de acordo com um importante relatório científico divulgado na terça-feira que analisou 70 estudos prévios sobre aquecimento global e agricultura
Os especialistas analisaram pesquisas anteriores, que utilizaram uma variedade de métodos, simulando como as culturas reagirão às mudanças de temperatura na escala global e local, bem como modelos estatísticos baseados em tempo histórico e dados de rendimento, para experiências de aquecimento de campo artificial.
Todos esses métodos “sugerem que as temperaturas crescentes provavelmente terão um efeito negativo sobre os rendimentos globais de trigo, arroz e milho”, afirmou o relatório no Proceedings of the National Academy of Sciences , publicação norte-americana revisada por pares.
“Cada aumento de um grau Celsius na temperatura média global estima-se uma redução da produtividade global média de trigo em seis por cento”, diz o relatório. Os rendimentos de arroz seriam reduzidos em 3,2 por cento e o milho em 7,4 por cento para cada grau de aquecimento Celsius (quase dois graus Fahrenheit).
As estimativas dos rendimentos da soja não sofreram alterações significativas.
Essas quatro culturas são fundamentais para a sobrevivência da humanidade, fornecendo dois terços da nossa ingestão calórica.
O aumento da temperatura, provavelmente, faria com que os rendimentos aumentassem em alguns locais, diz o relatório.
Mas, em sua maior parte, a tendência geral, em todo o planeta, é descendente, sinalizando que são necessárias medidas para se adaptar ao clima de aquecimento e alimentar uma população mundial em constante expansão.
Referência:
Temperature increase reduces global yields of major crops in four independent estimates, Chuang Zhao, PNAS, DOI: 10.1073/pnas.1701762114 , http://www.pnas.org/content/early/2017/08/10/1701762114
Publicação:
Proceedings of the National Academy of Sciences
Fonte: Science X / Phys.org
 *Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 17/08/2017

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

RECUO DO MAR

Fenômenos raros surgem no litoral e intrigam especialistas

Mancha causada por algas no litoral do Paraná.


 Foto: Lamic/CEM/UFPR 
Por Narley Resende 

Um enorme recuo da maré, o aparecimento de mamíferos sub-antárticos e duas grandes manchas escuras, com cerca de 400 metros na água do mar, estão intrigando pescadores e moradores do litoral do Paraná e de Santa Catarina.  
Esse conjunto de fenômenos raros coincidiu com um alerta de ressaca emitido no fim de semana pela Capitania dos Portos da Marinha em Paranaguá, para todo o Litoral Sul e Sudeste do país. O Aviso de Mau Tempo, que foi emitido na sexta-feira (11) e ampliado no domingo (13) termina nesta quarta-feira (16). 
O fenômeno que era esperado, o mais comum e perigoso, a ressaca, não causou danos e nenhuma ocorrência grave foi registrada nos últimos quatro dias. Mas uma séria de acontecimentos paralelos, porém, mobilizou especialistas e aguçou a curiosidade de moradores e frequentadores do litoral. Considerados raríssimos no Brasil, acontecimentos como o registro de lobos-marinhos-do-peito-branco e de um golfinho-de-óculos; de manchas quilométricas formadas por algas; e do recuo de maré baixa por uma extensão quatro vezes maior que o normal, causaram surpresa entre especialistas. Todos os fenômenos têm explicação científica e aparentemente não oferecem riscos.

Maré muito baixa e muito alta  

Em conjunto com a ressaca, o recuo da água do mar em extensão maior que o normal é explicado pela soma de dois fatores, segundo o professor de Engenharia Ambiental da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Eduardo Gobbi.  
A ação de um campo de pressão atmosférica aliado ao vento na região levaram ao maior recuo já visto pelo especialista em 25 anos morando no Paraná. “Nunca tinha visto com tanta intensidade. O que aconteceu não é comum”, aponta. Recuo do mar em Pontal do Paraná Recuo do mar em Pontal do Paraná. 

Foto: Blog Luciane Chiarelli 
O especialista explica que a soma da maré astronômica, com influência da Lua, com os efeitos meteorológicos (maré meteorológica), causaram o recuo do mar. “O padrão de circulação atmosférica nessa região do hemisfério Sul, do Atlântico Sul, você tem em geral diversos ciclones entrando sistematicamente, permanentemente, centros de baixa pressão, gerando esses ventos famosos nessa região. 
O que aconteceu foi uma coincidência de um centro de alta pressão ter descido um pouco mais, atipicamente, e por causa disso ele empurrou um centro de baixa pressão mais pra cima. A combinação desses dois é que foi o problema”, explica. Eduardo Gobbi relaciona o recuo do mar também com a ressaca detectada pela Marinha. “O centro de baixa pressão gira no sentido anti-horário e o centro de alta pressão gira no sentido horário. Os modelos detectaram que de sexta-feira pra cá teríamos ventos muito fortes em direção à costa e essa pista levou à previsão da ressaca e ao alerta da Marinha. Só que por causa dessa combinação também entrou um vento muito forte de Norte/Nordeste, por dentro do país”. “É muito provável que esse vento fortíssimo, atuando de forma muito persistente, é quase certo que isso tenha feito com que houvesse um recuo das águas mar adentro. Chamamos de maré meteorológica. Existe a maré astronômica e os efeitos meteorológicos são muito comuns, mas não com tanta intensidade, principalmente para baixo”, observa. 
 Mancha escura Uma análise feita por técnicos do Laboratório de Ecologia e Conservação do Centro de Estudos do Mar (CEM) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) apontou, no início da tarde desta terça-feira (14), que manchas escuras vistas em uma praia de Matinhos, Superaguí e Pontal do Sul, no litoral paranaense, foram causadas por algas da espécie Anaulus australis, que é inofensiva à saúde humana e até mesmo benéfica para o bioma. A espécie foi identificada pelo especialista em algas e professor da UFPR, Luiz Mafra. As manchas apareceram no fim da tarde de segunda-feira (14) no Balneário de Albatroz. Moradores da região acionaram a Polícia Ambiental por volta das 17h30. Ao chegarem na praia, por volta das 18h, os agentes consideraram a possibilidade de que óleo poderia ter vazado de alguma embarcação ou do Porto de Paranaguá, a 30 quilômetros de Matinhos. Ao menos duas manchas – cada uma com cerca de 400 metros, com uma distância de quatro quilômetros entre elas, foram vistas. Agentes da Polícia Ambiental fizeram registros fotográficos e acionaram o Instituto Ambiental do Paraná. 

 Foto: Lamic/CEM/UFPR 

Na manhã desta terça-feira, técnicos da UFPR e agentes da Polícia Federal (PF) acompanharam policiais ambientais para vistoriar a região. Apesar da suspeita ainda persistente de que a mancha teria sido causada por poluição, especialistas consideram que o fenômeno da coloração de alguns pontos da água na praia é causado pela floração de microalgas. Isso ocorre com determinada frequência em várias regiões do mundo. Mesmo antes da confirmação de exames, a bióloga Camila Domit, do Laboratório de Ecologia e Conservação do Centro de Estudos do Mar (CEM) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), já havia apontado a floração das algas como principal hipótese. “Eu nunca tinha visto uma concentração tão grande dessas algas aqui no nosso litoral, mas é muito comum acontecer na Praia do Cassino, no Rio Grande do Sul”, diz a especialista. Amostra da água do mar. 


Foto: Polícia Federal 

As manchas da floração, geralmente marrons, pretas ou vermelhas, aparecem pelo acumulo na superfície da água de pequenas algas, vistas somente no microscópio. Essas microalgas, que normalmente ficam no fundo do mar, são trazidas para cima pelas ondas, ventos e chuva, entre outros fatores. “O efeito das ondas estimula toda reprodução dela. Ela (a alga) chega com as correntes mais frias, é comum de inverno, e reproduz de maneira mais intensa por conta desses efeitos de ressaca”, explica. Saúde humana O fenômeno não oferece riscos à saúde dos banhistas. Entretanto, as pessoas devem evitar as áreas com manchas, pois nelas podem estar alojados outros tipos de microrganismos que causam irritações na pele. Camila Domit explica que não é o caso da mancha atual. Para os pescadores as microalgas são benéficas, já que atraem para a superfície peixes em busca de alimento. “Essa espécie não é tóxica, não temos nenhum relato de que possa causar algum dano à saúde humana ou à saúde da fauna. Pelo contrário, é uma das espécies principais para alimentar a tainha, por exemplo, várias espécies de peixes, baleias. Entre as algas presentes nas amostras, 98% é composto por Anaulus”, afirma. Com a presença das algas, a água fica mais escura e deve permanecer assim por vários dias. “A floração está muito grande. Ela começou em Albatroz, mas não está só em lá. Hoje a gente monitorou a mancha de Betaras até Praia de Leste”. As manchas serão monitoradas e serão realizadas coletas em cada quilômetro por onde ela passar. “As pessoas podem ficar bem tranquilas, não há registro de danos à saúde. O que pode ficar é um cheiro mais forte na água”, explica Domit. 
 O resultado de exames em amostras coletadas por técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) deve ser obtido somente em 15 dias. Mamíferos Junto com os fenômenos de inverno que aconteceram simultaneamente nesta semana no Litoral Sul, a presença de mamíferos raros chamou atenção. “Desde Santa Catarina até aqui no Paraná houve várias ocorrências de espécies de mamíferos marinhos que são sub antárticos, agora, nas últimas semanas. Aqui no Paraná, tivemos o lobo marinho sub antártico, característico de regiões bem ao Sul, então não temos ocorrências todos os anos”, diz Camila Domit.  
Um lobo-marinho-do-peito-branco (arctocephalus tropicalis), que vive em águas subantárticas, apareceu nesta terça-feira (15) em Santa Catarina. A espécie não costuma aparecer em águas brasileiras. Além disso, um golfinho-de-óculos (phocoena dioptrica) apareceu morto no dia 31 de julho, em Navegantes (SC). Esse foi o segundo registro do animal no litoral brasileiro. O primeiro aconteceu há 20 anos. “Em Santa Catarina chegou hoje um lobinho sub antártico, um lobo macho, e eles tiveram uma espécie de golfinho que foi o segundo registro no Brasil, que tinha sido registrado uma única vez 20 anos atrás, que é um golfinho super diferente”. Conforme os especialistas, tudo isso é causado por uma série de eventos oceanográficos, que estão trazendo uma contribuição de águas mais frias e com isso uma ocorrência maior de invertebrados, como de vertebrados, que não são característicos, que são raros no Brasil, além de fenômenos algas, um conjunto de coisas por efeito do La Nina, que consiste na diminuição da temperatura da superfície das águas do Oceano Pacífico Tropical Central e Oriental. Lobo-marinho-do-peito-branco. 

Foto: LEC/CEM/UFPR

Golfinho-de-óculos vive em águas mais frias e raramente é visto no Brasil (Foto: Projeto de Monitoramento de Praias) Golfinho-de-óculos vive em águas mais frias e raramente é visto no Brasil (Foto: Projeto de Monitoramento de Praias)

Fonte : ParanáPortal

terça-feira, 15 de agosto de 2017

CANADÁ

CANADÁ NA VISÃO DO ALUNO.