sexta-feira, 25 de maio de 2018

70% DOS BRASILEIROS FAZEM USO DE MEDICAMENTOS SEM RECOMENDAÇÃO MÉDICA.

70% dos brasileiros fazem uso de medicamentos sem recomendação médica, aponta pesquisa


medicamentos
Auto diagnose pode ocasionar intoxicações e reações alérgicas; de acordo com a Anvisa, analgésicos, antitérmicos e anti-inflamatórios são os maiores responsáveis por complicações
O brasileiro ainda tem pouco conhecimento sobre os impactos ocasionados pela automedicação e diagnose. É o que mostra uma pesquisa que constatou a prevalência de automedicação em 18,3% dos indivíduos investigados. As informações são do relatório “Fatores predisponentes para a prática da automedicação no Brasil: resultados da pesquisa nacional de acesso, utilização e promoção do uso racional de medicamentos (PNAUM)”, publicado na 21º edição do Boletim Científico. Foram entrevistadas 31.573 pessoas com idade igual ou superior a 20 anos.
A pesquisa mostra que 73,6% dos entrevistados afirmaram ter usado algum medicamento sem recomendação médica – caso eles já tivessem usado anteriormente esse mesmo produto; 73,8% declararam ter usado medicamentos não prescritos quando o medicamento já estava presente em casa; e 35,5% afirmaram ter usado alguma medicação não prescrita quando conheciam alguém que já havia tomado a mesma medicação.
O principal problema na automedicação e diagnose, aponta a professora Vera Lucia Pereira dos Santos, coordenadora do curso de Gestão da Vigilância em Saúde do Centro Universitário Internacional Uninter, é o risco de intoxicação ou uma reação alérgica. “A pessoa que se automedica já apresenta sintomas que indicam um estado alterado de saúde; se ocorrer a intoxicação pelo medicamento não indicado, o paciente pode inclusive não distinguir a reação e não procurar ajuda a tempo ou ainda ter uma reação alérgica, que poderá trazer sérias consequências”, avalia a especialista.
Por serem medicamentos que são de fácil acesso, os pacientes tendem a subestimar seus efeitos ou não seguir corretamente a prescrição da bula. “A automedicação revela, na verdade, um cenário de pouco acesso à saúde. As pessoas se medicam porque consideram difícil o acesso a uma consulta médica”, explica. Para consultas de emergência no SUS, em que os pacientes são classificados de baixo risco, a espera para atendimento pode chegar a 4 horas. “Essa dificuldade leva o paciente a achar que, sozinho, pode se ajudar. Aliada à falta de informação, eles tomam decisões sem aval médico achando que não vão se prejudicar”, afirma.
Dr. Google: as dez pesquisas sobre saúde mais procuradas no buscador em 2017
O processo de automedicação normalmente está associado a auto diagnose, explica Vera Lucia. Com maior acesso à informação, é comum que pacientes, ao sentirem sintomas diversos, tentem encontrar respostas nos buscadores de pesquisa. “O procedimento é incorreto e pode oferecer riscos à saúde de crianças e idosos, os mais afetados pela intoxicação medicamentosa”, alerta a especialista. Confira as dez pesquisas sobre saúde mais realizadas no Google, em 2017.
1. O que causam soluços?
2. Como faço para parar de roncar?
3. O que causa pedra nos rins?
4. Por que eu me sinto tão cansado?
5. Qual a duração de uma gripe?
6. Qual a pressão sanguínea normal?
7. Como diminuir colesterol?
8. O que causa pressão alta?
9. O que é TDAH?
10. O que é lupus?
De acordo com levantamento do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox) da Unicamp, em Campinas, 33% dos casos de intoxicação no Brasil se deram por ingestão de medicamentos, em 2017. “Para acabar com a automedicação, é preciso não só de informação, mas aumentar os pontos de contato da população com os hospitais”, finaliza.
Colaboração de Lorena Oliva Ramos, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 24/05/2018

quinta-feira, 24 de maio de 2018

ÁREAS PROTEGIDAS DO MUNDO ESTÃO SOB INTENSA PRESSÃO HUMANA.

Estudo revela que um terço das áreas protegidas do mundo estão sob intensa pressão humana



UMA VILA DE PESCADORES ILEGAIS LOCALIZADA NO PARQUE NACIONAL DE VIRUNGA, NA REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO. | ANDY PLUMPTRE, SOCIEDADE DE CONSERVAÇÃO DA VIDA SELVAGEM
UMA VILA DE PESCADORES ILEGAIS LOCALIZADA NO PARQUE NACIONAL DE VIRUNGA, NA REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO. | ANDY PLUMPTRE, SOCIEDADE DE CONSERVAÇÃO DA VIDA SELVAGEM
Por Michelle Hampson*, American Association for the Advancement of Science
Globalmente, um terço das terras protegidas está sob intensa pressão de construção de estradas, pastagens, urbanização e outras atividades humanas, de acordo com um novo estudo publicado na edição de 18 de maio da revista Science . Os resultados sugerem que áreas protegidas, como a área selvagem designada, parques nacionais e áreas de reabilitação de habitat criadas para conter a perda de biodiversidade, não são tão bem guardadas quanto se pensava.
Nações ao redor do mundo se comprometeram a preservar a biodiversidade sob a Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD), através de designações de status protegidas que vão desde reservas naturais com controles rígidos sobre o impacto humano até regiões onde as pessoas podem extrair recursos naturais de maneira sustentável. Este estudo sugere que muitas dessas nações não estão conseguindo atingir suas metas de conservação.
James Watson, pesquisador da Wildlife Conservation Society e um dos autores do estudo, observou que 111 nações atualmente afirmam que cumpriram suas obrigações sob a CDB, com base na extensão de suas áreas protegidas. “Mas se você apenas contasse a terra em áreas protegidas que não são degradadas, o que desempenha um papel na conservação da biodiversidade, 77 dessas nações não cumprem o padrão”
Watson passou anos viajando por diferentes paisagens para o trabalho. “Enquanto isso me permitiu ver uma grande conservação em ação, ficou claro que muitas áreas protegidas estavam sendo invadidas pela humanidade, na forma de extração de madeira, mineração, aldeias, estradas e agricultura, e eu senti que a questão estava piorando. Eu Ficou surpreso ao descobrir que ninguém havia mapeado este problema em áreas protegidas globais, pois é tão incrivelmente importante nas discussões globais sobre estratégias de biodiversidade pós-2020 “.
Watson e uma equipe de pesquisadores decidiram tirar proveito de um mapa de pegada humana lançado recentemente para analisar a degradação de áreas protegidas. O mapa global combina dados sobre ambientes construídos, agricultura intensiva, pastagens, densidade populacional humana, luzes noturnas, estradas, ferrovias e hidrovias navegáveis.
“Os resultados são bastante surpreendentes”, disse Watson. “Descobrimos que 2,3 milhões de milhas quadradas – duas vezes o tamanho do Alasca – foi impactado pela construção de estradas, pastagens, extração de madeira, estradas e urbanização. Isso é 32,8% de todas as terras protegidas – as terras reservadas pelas nações para a conservação da biodiversidade – isso] é altamente degradado “.
As regiões que foram consideradas particularmente sobrecarregadas pela atividade humana incluem a Europa Ocidental e o sul da Ásia.
Em termos de terra protegida livre de qualquer pressão humana mensurável, 42% poderiam ser classificados como tal; No entanto, muitas dessas áreas estão localizadas em regiões remotas de países de alta latitude, como Rússia e Canadá.
Alguns esforços de conservação foram frutíferos, no entanto. “Nós vimos vislumbres de esperança”, disse Watson. “Muitas áreas protegidas que foram identificadas como áreas protegidas ‘estritas’ pareciam estar fazendo um bom trabalho, mesmo em áreas que estão sendo massivamente erodidas pela humanidade.”
Por exemplo, Watson aponta para o Santuário da Vida Selvagem de Keo Seima, no Camboja, e a Reserva do Niassa, em Moçambique, que ele diz ser bem-sucedida graças ao apoio de organizações não-governamentais e consistente assistência financeira de doadores nacionais e internacionais.
Áreas protegidas designadas após 1993 têm um nível mais baixo de pressão humana intensa dentro de suas fronteiras do que aquelas previamente designadas, os autores descobriram. Eles sugerem que isso pode indicar que áreas designadas mais recentemente foram consideradas espaços protegidos porque foram reconhecidas como estando sob baixa pressão humana.
“Precisamos reconhecer que simplesmente declarar uma área protegida é apenas o primeiro passo que as nações devem dar. Ajudar as áreas protegidas a serem bem-sucedidas requer um esforço mais sustentado e dedicado”, enfatizou Watson.
“Estamos realizando pesquisas para identificar aqueles lugares intactos e biologicamente importantes em todo o mundo que ainda precisam de proteção e os mecanismos que melhor garantirão sua proteção”.

Referência:
One-third of global protected land is under intense human pressure
Kendall R. Jones, Oscar Venter, Richard A. Fuller, James R. Allan, Sean L. Maxwell, Pablo Jose Negret, James E. M. Watson
Science 18 May 2018:
Vol. 360, Issue 6390, pp. 788-791
DOI: 10.1126/science.aap9565
http://science.sciencemag.org/content/360/6390/788

* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 21/05/2018

BRASIL: CAMPOS RUPESTRES EM RISCO.

Estudo internacional inédito aponta risco de perda de 82% dos campos rupestres no país


UNESP
Áreas abrigam mais de 5000 espécies de plantas e um dos níveis mais altos de endemismo no mundo Imagem: Ricardo Solar
Áreas abrigam mais de 5000 espécies de plantas e um dos níveis mais altos de endemismo no mundo Imagem: Ricardo Solar
Um estudo desenvolvido em colaboração entre pesquisadores da Unesp Rio Claro, Standford University (dos EUA) e Universidade Federal de Minas Gerais, UFMG), alerta para mudanças no uso do solo que podem levar à perda de 82% desses ecossistema no futuro, prejudicando o acesso à água e a segurança alimentar em escala regional.
Os campos rupestres são complexos vegetacionais antigos, datando de milhares de anos e megadiversos, que abrigam mais de 5000 espécies de plantas e um dos níveis mais altos de endemismo no mundo.
Este ecossistema ímpar ocorre em solos pobres em nutrientes e sob condições ambientais extremas, em geral nas montanhas de quartzo e ferro de Minas Gerais e Bahia. Até pouco tempo atrás, os campos rupestres foram poupados das principais intervenções humanas de agricultura e pecuária intensiva. No entanto, recentemente, estas áreas têm experimentado uma das mais extremas mudanças no uso da terra entre todos os ecossistemas brasileiros, sofrendo com políticas precárias que levam a intensas atividades de mineração, turismo descontrolado e construção de estradas mal planejadas.
A descoberta de grandes reservas minerais, a adoção de políticas de conservação ineficazes e mudanças climáticas em curso estão ameaçando esse ecossistema.
O artigo, co-autorado por pesquisadores da UFMG, Unesp de Rio Claro e Stanford University (EUA), lançam luz sobre as ameaças severas impostas pelas mudanças no uso da terra sobre os campos rupestres, modelando sua distribuição futura sob diferentes cenários de mudanças climáticas.
O estudo inédito faz uma previsão catastrófica que, se não for interrompida, levará à perda de 82% desse ecossistema no futuro, impactando os serviços ecossistêmicos em escalas regionais, incluindo água e segurança alimentar, potencialmente afetando mais de 50 milhões de pessoas no Brasil.
Da UNESP, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 21/05/2018

BRASIL: 11,5 MILHÕES DE PESSOAS QUE AINDA NÃO SABEM LER E ESCREVER.

No Brasil, 11,5 milhões de pessoas que ainda não sabem ler e escrever


IBGE
A taxa de analfabetismo da população com 15 anos ou mais de idade no Brasil caiu de 7,2% em 2016 para 7,0% em 2017, mas não alcançou o índice de 6,5% estipulado, ainda para 2015, pelo Plano Nacional de Educação (PNE). As informações estão no módulo Educação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, divulgado hoje pelo IBGE.
Em números absolutos, a taxa representa 11,5 milhões de pessoas que ainda não sabem ler e escrever. A incidência chega a ser quase três vezes maior na faixa da população de 60 anos ou mais de idade, 19,3%, e mais que o dobro entre pretos e pardos (9,3%) em relação aos brancos (4,0%).
Quatorze das 27 unidades da federação, porém, já conseguiram alcançar a meta do PNE, mas o abismo regional ainda é grande, principalmente no Nordeste, que registrou a maior taxa entre as regiões, 14,5%. As menores foram no Sul e Sudeste, que registraram 3,5% cada. No Centro-Oeste e Norte, os índices ficaram em 5,2% e 8,0%, respectivamente.
#praCegoVer Infográfico da taxa de analfabetismo da população de 15 anos ou mais
Apenas 68,4% dos alunos do ensino médio estavam na série esperada para a idade
A meta de garantir que 85% dos alunos do ensino médio estejam na idade esperada para a etapa também não foi alcançada. Em 2017, apenas 68,4% dos estudantes estavam na etapa esperada para a idade, mostrando pouca variação em relação a 2016, 68%.
No ensino fundamental, a meta, estipulada em 95%, já havia sido cumprida no ano passado, quando foi registrado 96,5%, subindo para 96,9% em 2017. Porém, ao observar o recorte do 6º ao 9º ano, esse número cai para 85,6%.
#praCegoVer Infográfico do percentual de alunos do ensino médio que estão na série esperada para a idade por grandes regiões
#praCegoVer Infográfico do percentual de alunos do ensino médio que estão na série esperada para a idade por gênero, cor ou raça e rendimentos
“É um efeito dominó. Por exemplo, se o aluno repete um ano no ensino fundamental provavelmente ele vai começar o médio já com atraso. Isso ajuda a explicar porque a taxa é mais crítica nessa etapa”, explica a pesquisadora do IBGE Marina Águas.
Cresce proporção de pessoas com ensino superior e cai número de não escolarizados
Por outro lado, houve aumento no percentual de pessoas com 25 anos ou mais idade com ensino superior completo, passando de 15,3% em 2016 para 15,7% em 2017. Entre os brancos, 22,9 % haviam concluído essa etapa, e na população preta e parda, 9,3%. Em 2016, esses números ficaram em, respectivamente, 22,2% e 8,8%.
Já a taxa de pessoas sem instrução, ou seja, aquelas de 25 anos ou mais que não completaram nenhum ano do ensino fundamental, caiu de 10,7% em 2016 para 8,8% no ano passado. Regionalmente, a maior incidência foi observada no Nordeste, 16,5%, e a menor no Sudeste, 5,5%.

Repórter: João Neto
Imagem: Diego Galba-Pref.Olinda
Arte: Helga Szpiz e Marcelo Barroso
Do IBGE, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 21/05/2018

IBGE: CRESCE O NÚMERO DE JOVENS QUE NÃO ESTUDAM NEM TRABALHAM OU SE QUALIFICAM.

IBGE: Número de jovens que não estudam nem trabalham ou se qualificam cresce 5,9% em um ano

IBGE
Em 2017, das 48,5 milhões de pessoas com 15 a 29 anos de idade, 23,0% (11,2 milhões) não trabalhavam nem estudavam ou se qualificavam, contra 21,9% em 2016. De um ano para o outro, esse contingente cresceu 5,9%, o que equivale a mais 619 mil pessoas nessa condição.
Em 2017, a taxa de escolarização (proporção de estudantes em um grupo etário) das crianças de 0 a 5 anos aumentou em relação a 2016. Já na faixa de 6 a 14 anos a universalização já estava praticamente alcançada em 2016, com 99,2% de pessoas na escola. Apesar do amplo acesso à escola, a adequação entre a idade e a etapa de ensino frequentada, medida pela taxa ajustada de frequência escolar líquida (proporção de estudantes com idade prevista para uma determinada etapa de ensino em um grupo etário específico) mostra que o atraso escolar se inicia no ensino fundamental. Em 2017, 95,5% das crianças de 6 a 10 anos estavam nos anos inicias do fundamental, enquanto 85,6% das pessoas de 11 a 14 anos de idade frequentavam os anos finais. Nessa faixa etária, 1,3 milhão de pessoas estavam atrasadas e 113 mil estavam fora da escola. O atraso e a evasão se acentuam na etapa do ensino médio, que idealmente deveria ser cursada por pessoas de 15 a 17 anos. Para essa faixa de idade, a taxa de escolarização foi de 87,2%, porém a taxa ajustada de frequência escolar líquida foi de 68,4%, indicando quase 2 milhões de estudantes atrasados e 1,3 milhão fora da escola.
Entre as pessoas de 18 a 24 anos, a taxa de escolarização foi de 31,7% em 2017, contra 32,8% em 2016. Nesse mesmo período, a taxa também recuou entre as mulheres (de 34,1% para 32,6%) e as pessoas de cor preta ou parda (de 29,4 para 28,4%).
A taxa ajustada de frequência escolar líquida no ensino superior foi de 23,2%, chegando a 26,8% para as mulheres, contra 27,9% em 2016. Entre as pessoas brancas a taxa foi 32,9%, alcançando a meta do Plano Nacional de Educação – PNE (33,0% até 2024), mas entre as pessoas pretas ou pardas ela ficou em 16,7%.
A taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais de idade foi 7,0% em 2017, e se manteve acima da meta intermediária do PNE, de 6,5% em 2015. As regiões Centro-Oeste (5,2%), Sudeste e Sul (ambas com 3,5%) já estavam abaixo da meta nacional, mas o Nordeste (14,5%) e o Norte (8,0%), não.
Cerca de 25,1 milhões de pessoas de 15 a 29 anos de idade, que não alcançaram o ensino superior completo, não estavam estudando ou se qualificando em 2017. Desse grupo, 52,5% eram homens e 64,2% eram pessoas de cor preta ou parda. De 2016 para 2017, foram 343 mil pessoas a mais nessa situação, equivalendo a um aumento de 1,4%. Os motivos mais frequentes alegadas foram: trabalhava, procurava trabalho ou conseguiu trabalho que iria começar em breve (39,7%); não tinha interesse em estudar (20,1%); e por ter que cuidar dos afazeres domésticos ou de pessoas (11,9%).
Essas informações são do módulo Educação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua 2017, cujo material de apoio está à direita desta página.
De 2016 para 2017, contingente de pessoas com 15 a 29 anos que não trabalham nem estudam ou se qualificam cresceu 5,9%
No Brasil, em 2017, das 48,5 milhões de pessoas de 15 a 29 anos de idade, 23,0% (11,2 milhões) não estavam ocupadas nem estudando ou se qualificando. Em 2016, o percentual dos que não estudavam nem trabalhavam era de 21,8% (10,5 milhões). De um ano para o outro, houve um aumento de 5,9% nesse contingente, o que equivale a mais 619 mil pessoas nessa condição. Essa trajetória pode estar relacionada ao momento econômico vivido pelo país.
Na análise segundo sexo e cor ou raça, 17,4% dos homens e 28,7% das mulheres não estavam ocupadas, nem estudando ou se qualificando. Entre as pessoas de cor branca, essa proporção foi 18,7% e entre as de cor preta ou parda foi 25,9%.
Entre as pessoas de 15 a 17 anos de idade, ainda em idade escolar obrigatória, 78,3% se dedicavam exclusivamente ao estudo, aumento de 1.5p.p. frente a 2016. No grupo das pessoas de 18 a 24 anos, a maior parte (34,7%) estava ocupada e não estudava, porém, o maior crescimento, de 2016 a 2017, se deu entre as pessoas não ocupadas nem estudando, 26,3% em 2016 para 28% em 2017. Já grupo das pessoas de 25 a 29 anos, 57,4% estava ocupada e não estudava, e 25,6% estava não ocupada e não estudava. Observa-se que, entre 2016 e 2017, cujo momento econômico foi de declínio da ocupação, a educação e a qualificação profissional não ganharam espaço entre as pessoas de 18 a 29 anos.
Analfabetismo diminui, mas ainda não bate a meta intermediária do PNE
A meta nº 9 do Plano Nacional de Educação (PNE), instituído pela Lei n. 13.005, determinou a redução da taxa de analfabetismo para 6,5%, em 2015, e a sua erradicação até 2024. O país não cumpriu a primeira parte da meta. Em 2017, a taxa nacional de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais de idade foi estimada em 7,0%, o equivalente a 11,5 milhões de analfabetos, ou 300 mil pessoas a menos do que em 2016 (7,2%). As regiões Centro-Oeste (5,2%), Sudeste e Sul (ambas com 3,5%) já estavam abaixo da meta nacional, enquanto que no Nordeste a taxa estava acima do dobro (14,5%) e no Norte era de 8,0%.
Em 2017, para as pessoas com 60 anos ou mais, a taxa foi 19,3%, contra 20,4% em 2016. Essa taxa caiu em todas as regiões, exceto o Sul. A taxa de analfabetismo dos idosos no Nordeste (38,6%) era quase quatro vezes a do Sudeste (10,6%).
Para as pessoas brancas de 15 anos ou mais de idade, a taxa nacional passou de 4,2% para 4,0%, enquanto que entre as pessoas pretas ou pardas, ela caiu de 9,9% para 9,3%.
Sul e Sudeste estão mais próximos da meta de escolarização de crianças de 0 a 3 anos
Para as crianças de 4 e 5 anos, faixa correspondente à pré-escola, a taxa foi 91,7% em 2017, frente aos 90,2% em 2016. A universalização da educação infantil na pré-escola até 2016, constante na meta 1 do PNE, não foi alcançada em nenhuma Grande Região. O Nordeste e o Sudeste tiveram taxas acima da média nacional, 94,8% e 93,0%, enquanto o Norte tinha 15,0% das crianças desse grupo etário fora da escola.
Estimou-se que 34,7% (897 mil) das crianças de 2 e 3 anos e 21,1% (903 mil) das crianças de 0 a 1 ano não frequentavam escola por dificuldade de acesso, seja por falta de vaga ou por falta de escola na localidade. Já entre as crianças de 4 e 5 anos, onde 8,3% não frequentavam escola, 44,4% (196 mil) não frequentavam ou por ausência de vaga (24,6%) ou por inexistência de escola na localidade de moradia (19,8%).
#praCegoVer Gráfico da taxa ajustada de frequência escolar líquida
Defasagem da idade/etapa escolar ideal começa no ensino fundamental
Em 2017, 95,5% das pessoas de 6 a 10 anos estavam adequadamente frequentando os anos iniciais do ensino fundamental, com aumento de 0,5p.p. frente a 2016. Segundo sexo e cor ou raça, a taxa foi de 95,3% entre os homens, 95,7% entre as mulheres, 95,8% entre os de cor branca e 95,3% entre os de cor preta ou parda.
Para o grupo de 11 a 14 anos de idade que, idealmente, deveria cursar o segundo segmento do fundamental, a taxa foi de 83,3% para os homens e 88,0% para as mulheres, com avanços de 1,2 p.p e 1,3 p.p face a 2016, respectivamente. Das pessoas brancas, 89,1% estavam na idade/etapa adequada; já para as pretas ou pardas a taxa foi 83,4%. Assim, 10,9% das pessoas brancas e 16,6% das pretas ou pardas dessa idade estavam atrasadas em relação à etapa escolar adequada ou haviam evadido o sistema de ensino.
Média de anos de estudo na faixa de 25 anos ou mais de idade das pessoas brancas é dois anos mais alta do que a das pessoas pretas ou pardas
A média de anos de estudo das pessoas de 25 anos ou mais de idade, em 2017, foi 9,1 anos, 0,2 ano maior que em 2016. Esse patamar de crescimento esteve presente em todas as Regiões, com Sudeste, Centro-Oeste e Sul apresentando valores acima da média nacional, respectivamente de 9,9, 9,5 e 9,4 anos, enquanto as Regiões Nordeste e Norte ficaram abaixo da média nacional, com 8,6 anos e 7,7 anos, respectivamente.
O número médio de anos de estudo foi de 9,3 anos para as mulheres e 8,9 para os homens, ambos 0,2 anos acima de 2016. Com relação à cor ou raça, mais uma vez a diferença foi considerável, registrando-se 10,1 anos de estudo para as pessoas brancas e 8,2 anos para as de cor preta ou parda, com uma diferença de quase 2 anos entre esses grupos.
Frequência escolar líquida ao ensino superior dos brancos (32,9%) é quase o dobro da dos pretos e pardos (16,7%)
A taxa ajustada de frequência escolar líquida ao ensino superior foi de 23,2% na população com 18 a 24 anos, mantendo-se estável em relação a 2016. Para as mulheres a taxa foi 26,8%, 1p.p. menor que a de 2016. Para as pessoas de cor branca a taxa foi 32,9%, e 16,7% para as pessoas pretas ou pardas, ambas estáveis frente a 2016. A taxa ajustada para as pessoas pretas ou pardas permaneceu quase a metade da taxa das pessoas brancas, que já alcançaram a meta 12 do PNE para esse grupo etário (de 33% até 2024).
Nível de instrução melhora, mas Norte e Nordeste permanecem abaixo da média
No Brasil, a proporção de pessoas de 25 anos ou mais de idade que finalizaram a educação básica obrigatória (concluíram, no mínimo, o ensino médio) passou de 45,0%, em 2016, para 46,1%, em 2017. Esse aumento foi acompanhado por uma redução de 0,6 p.p. tanto na proporção de pessoas sem instrução, quanto na de pessoas com o fundamental completo.
Com exceção do Sul, também foi observado, em todas as Grandes Regiões, o aumento da proporção de pessoas de 25 anos ou mais de idade que concluíram, ao menos, a educação básica obrigatória. O Nordeste tinha o menor percentual (37,2%), seguido pelo Norte, que apresentou o maior crescimento em termos percentuais (1,5 p.p.), com 42,1% em 2017.
As Regiões Norte e Nordeste, detentoras dos maiores percentuais de pessoas sem instrução, passaram de 9,9% e 14,9%, em 2016, para 8,8% e 14,3%, em 2017. Esses resultados condizem com a redução da taxa de analfabetismo dessas regiões.
Na análise por sexo e cor ou raça, 22,9% das pessoas de cor branca e 17,5% das mulheres, ambas com 25 anos ou mais de idade, possuíam o ensino superior completo em 2017. Dentre os homens, 42,6% eram sem instrução ou não chegaram a concluir o ensino fundamental (redução de 0,8 p.p. em relação a 2016) e 13,7% tinham o ensino superior completo. Entre as pessoas de cor preta ou parda, 47,4% não completaram nem a primeira etapa do ensino básico, uma proporção elevada, mas que obteve uma queda de 1,5 p.p. de 2016 para 2017. Por outro lado, o percentual de pessoas de cor preta ou parda com o ensino superior completo passou de 8,8%, em 2016, para 9,3% em 2017.
Trabalho é a razão mais comum para não estudar ou se qualificar entre as pessoas de 15 a 29 anos
Em 2017, 25,1 milhões das pessoas de 15 a 29 anos de idade não frequentavam escola, cursos pré-vestibular, técnico de nível médio ou de qualificação profissional e não haviam concluído uma graduação. Nesse grupo se caracterizava por 52,5% de homens e 64,2% de pessoas de cor preta ou parda. Em relação ao nível de instrução, 55,1% tinha o ensino médio completo ou superior incompleto, 23% o ensino fundamental completo ou médio incompleto e 21,9% era sem instrução ou com o fundamental completo. Esse perfil foi similar em 2016.
De 2016 para 2017, foram 343 mil pessoas a mais nessa situação, equivalendo a um aumento de 1,4% desse grupo. Dentre os motivos relacionados, as razões mais frequentes alegadas pelas pessoas foram: por motivo de trabalho, ou seja, trabalhava, procurava trabalho ou conseguiu trabalho que iria começar em breve (39,7%); não tinha interesse por estudar (20,1%); e por ter que cuidar dos afazeres domésticos ou de pessoas (11,9%).
Os motivos relacionados ao mercado de trabalho foram mais frequentes entre os homens (49,4%) do que entre as mulheres (28,9%) e ambos apresentaram queda frente a 2016 (50,6% entre os homens e 30,5% entre as mulheres). Além disso, 24,2% dos homens declararam não ter interesse em estudar ou se qualificar, percentagem que entre as mulheres foi 15,6%, ambos no mesmo patamar de 2016. Já a falta de dinheiro para pagar as despesas com o estudo foi alegada por 9% dos homens e por 12% das mulheres, e maior do que no ano anterior (6,9% entre os homens e 8,8% entre as mulheres).
Entre as mulheres, chama atenção o peso dos cuidados de pessoas e dos afazeres domésticos, visto que 24,2% delas disseram não estudar ou se qualificar por necessidade de realizar essas tarefas, valor mais baixo 1,9p.p. que em 2016. A realização de afazeres domésticos ou cuidados de pessoas foi mais frequente entre as duas categorias mais baixas de nível de instrução, em torno de 17%, do que entre as pessoas com o ensino médio completo ao superior incompleto, com 7,7%.
Do IBGE, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 21/05/2018

ALIMENTOS NUTRACÊUTICOS

Alimentos Nutracêuticos, artigo de Roberto Naime

alimentação saudável
Foto: EBC
[EcoDebate] A alimentação natural é a farmácia e se diga de passagem, “barata” que trata da sua saúde. Mas o que poucas pessoas têm conhecimento é que substâncias que compõem determinados alimentos, chamados nutracêuticos ou funcionais, podem prevenir e até mesmo tratar de vários tipos de doenças.
Os nutracêuticos são alimentos que têm a funcionalidade ou a capacidade pelas substâncias que contém, de comprovadamente proporcionar benefícios à saúde, como a prevenção e tratamento de doenças. O termo nutracêutico vem de “nutri”, nutriente e “cêutico”, de farmacêutico, ou seja, alimentos que nutrem e trazem saúde. É a medicina natural tratando da saúde das pessoas e prevenindo as suas doenças.
Na verdade, todo alimento natural, ou seja, aquele que não foi processado industrialmente, pode ser classificado como “funcional” já que contém, em doses variáveis, componentes essenciais à nossa saúde, como vitaminas, minerais, enzimas e fibras. Porém, certos alimentos contém outras substâncias com grande capacidade de proteção e mobilização imunológica.
Desde os primórdios da civilização, o homem procurava os seus alimentos na natureza e aprendeu com os animais, através da observação e da experimentação, a se nutrir com os alimentos que poderiam prevenir ou curar as suas doenças. Então surgiu a fitoterapia, que foi utilizada por pagés, magos, alquimistas, padres, terapeutas e médicos. Aliás, a indústria farmacêutica começou sintetizando as moléculas dos produtos naturais para produção de medicamentos.
Existe uma pequena revolução nas prateleiras dos supermercados, onde consumidores cada vez mais conscientes e exigentes querem em suas mesas os alimentos nutracêuticos, os alimentos que trataram da saúde dos seus ancestrais.
O homem cria e transforma as suas ideias, mas sempre volta as suas origens. Os antigos tinham toda a sabedoria do mundo porque estavam em contato direto com a natureza. O chamado “homem civilizado” atualmente, vive estressado, se alimentando muito mal com alimentos cada vez mais industrializados e com menos nutrientes.
Os alimentos perecíveis nas feiras, impressionam os olhos, mas não tem gosto e não tem os seus nutrientes essenciais. Os agrotóxicos estão cada vez mais poderosos e muito mais prejudiciais à saúde do ser humano.
No entanto, funcionalidades alimentares relacionadas com substâncias nutracêuticas estão cada vez mais valorizadas.
A água é uns dos elementos fundamentais para a existência do homem, é um dos principais componentes do organismo. Cerca de 60 a 70% do corpo de uma pessoa é constituído de água. Esta substância também participa da composição de todos os líquidos e células, desempenhando funções importantes no metabolismo normal como a dissolução de nutrientes fornecidos na alimentação, assim como das toxinas e outros elementos que devem ser eliminados do organismo, e também na regulação da temperatura corpórea.
Muitos problemas de saúde da população são relacionadas a água. São doenças provocadas por vírus, bactérias, protozoários e helmintos ou vermes ou por agentes químicos presentes na água, geralmente resultado da poluição. Por isso é recomendável não comprar água de procedência duvidosa. A água é um grande preventivo das doenças. Os vasilhames devem ser transparentes, limpos, bem cuidados, sem arranhões, com lacre e com análise química atualizada. Os refrigerantes são considerados “água morta” por não serem naturais.
Não é necessário e nem recomendável o uso contínuo ou permanente de água mineralizada ou mineral natural. Excesso de nutrientes e substâncias químicas na água em idade mais avançada podem causar concreções nos rins em algumas pessoas. Outras podem ter metabolismo alterado e gerar concreções com predomínio cálcico a partir da ingestão de leite e derivados.
O sal refinado pode ser substituído pelo sal marinho. Como o Dr. Márcio Bontempo manifesta o sal marinho contém cerca de 84 elementos que são eliminados ou extraídos para a comercialização durante o processo industrial para a produção do sal refinado. Como enxofre, bromo, magnésio, cálcio e outros menos importantes, que representam excelente fonte de nutrição adequada.
A indústria é geralmente poderosa e possui a sua forma de controle sobre as autoridades. É claro que será então dada muita ênfase a importância do sal refinado empobrecido em relação ao sal puro e integral, que é abominado. O sal marinho tem cristais maiores que o sal refinado, e deve ser utilizada na mesma quantidade. Somente se recomenda um preparo mais lento para que os cristais de sal se dissolvam adequadamente.
Recomenda-se a substituição do açúcar refinado pelo açúcar natural, que pode ser garapa, melado, rapadura ou ainda açúcar mascavo. O melado é um dos alimentos que mais contém ferro na natureza. A cana-de-açúcar é originária da Índia, sendo uma planta selvagem que começou a ser cultivada em jardins.
Inicialmente era extraída a água de açúcar, que depois foi se transformando no próprio açúcar, considerado então um remédio, que aparecia nas receitas dos médicos orientais. O uso do açúcar como alimento começou por volta do século X, na Índia e na China. O açúcar foi trazido pelos árabes para a Europa e no século XV já era um dos principais produtos comercializados pelos povos do Mediterrâneo.
Neste período, os portugueses passaram a dominar as técnicas do fabrico do açúcar em suas ilhas atlânticas de Açores, Madeira, São Tomé e Príncipe. Logo foi trazido para o Brasil. No começo, não se ouvia falar em diabetes com os escravos vivendo da rapadura, farinha de mandioca e carne seca, que até hoje é consumida pela população carente brasileira dos Estados do Norte e Nordeste.
O arroz branco pode ser substituído pelo integral ou farelo de arroz. O arroz integral é envolto por uma película que é justamente o que o mantém integral. Esta película segura o germe do grão que juntos formam uma dupla designada farelo. Pode então ser considerado um alimento funcional.
O arroz branco, por sua vez, não contém esta película porque ela foi retirada no processo da refinação. Portanto, este arroz não contém farelo, não podendo ser indicado como alimento funcional.
Farelos de arroz, aveia, soja e trigo são ricos em fibras. Estas substâncias estimulam o funcionamento intestinal e reduzem o colesterol. Os farelos são ricos em vários compostos ativos como os fitatos, que protegem o organismo do depósito de chumbo, os ácidos graxos insaturados. Também as proteínas e vitaminas B1 principalmente.
É recomendada a substituição do óleo de soja pelo óleo de girassol. O que diferencia o óleo de girassol dos outros óleos é a concentração de ácidos graxos. Os ácidos graxos que interessam sob o ponto de vista da nutrição, são os insaturados, oléico e linolênico, principalmente este último capaz de dissolver e eliminar o excesso de colesterol no organismo. Essa característica, garante ao óleo de girassol, propriedades altamente reguladoras nas doenças cardíacas
Substitua o seu vinagre de vinho ou de álcool por vinagre de maçã. Este ingrediente tem a sua eficácia na redução de peso, na redução da celulite e na desintoxicação do organismo. Mas o vinagre de maçã também apresenta muitos outros benefícios para a saúde como redução do colesterol, promovendo uma boa circulação sanguínea, melhorando o metabolismo e facilitando a digestão.
Chás verdes, que são ricos em polifenóis que previnem o câncer e doenças do coração, são bastante recomendáveis. Vegetais crucíferos como brócolos, repolho, couve-de-bruxelas, rabanete e couve-flor possuem grandes quantidades de glicosinolatos que previnem o câncer.
Frutas cítricas são ricas em limoneno que previnem o câncer e fortalecem o sistema imunológico. Alho e cebola contém uma substância chamada alicina que estimula o sistema imunológico e redutores de colesterol e triglicerídeos. Por último, substitua o leite por produtos lácteos. Eles são pré e próbióticos e melhoram a flora bacteriana. O kefir, que é o coalho de leite, possui mais de 20 colônias de lactobacilos que auxiliam muito a flora intestinal.
Ainda, alimentos que contém lignina, como linhaça, regularizam o sistema imunológico, reduzem o colesterol e diminuem o risco de doenças cardiovasculares. A linhaça em grão pode ser
processada no liquidificador.
Esta é uma pequena parcela dos chamados produtos nutracêuticos e o que eles podem exercer de funcionalidades. Hábitos alimentares podem ser modulados e implementados no decorrer do tempo. Na medida que se estabelecem demandas de mercado, vai ocorrendo aprimoramento na produção. Afinal, se quer atender as necessidades dos consumidores em sociedades moduladas por livre iniciativa.
Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.
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in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 22/05/2018

BRASIL : A BIODIVERSIDADE E SUA RELAÇÃO COM AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS .

Qual a importância da biodiversidade no Brasil e a sua relação com o debate global das mudanças climáticas?


O que sabemos sobre a biodiversidade e as mudanças climáticas no Brasil?

WWF
Para que mais pessoas se interessem pelo tema e conheçam a produção técnico-científica já produzida até este momento no país, ontem, 22 de maio, Dia Internacional da Biodiversidade, o WWF-Brasil lançou a publicação Biodiversidade e Mudanças Climáticas no Brasil – Levantamento e Sistematização de Referências. O material apresenta diversos estudos e autores, além de identificar lacunas de conhecimento para incentivar a elaboração de novas pesquisas.
O Dia Internacional da Biodiversidade é uma data comemorativa instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) para chamar a atenção da população mundial para a importância da diversidade biológica e para a necessidade de proteção da biodiversidade em todos os ecossistemas do planeta.
Nessa agenda, o clima é fator determinante para a distribuição dos seres vivos no planeta. Ao longo dos últimos milhares de anos, cada espécie desenvolveu as características específicas para sua sobrevivência de acordo com seu habitat.
Além das muitas ameaças que já afetam a integridade dos ecossistemas naturais e sua biodiversidade, como desmatamentoqueimadas e poluição, os efeitos previstos das mudanças do clima devem gerar consequências ainda mais graves à vida. Para continuar a existir, as espécies deverão se adaptar ou migrar para locais com condições climáticas mais adequadas.
Com o objetivo de conhecer e divulgar a produção científica brasileira, o WWF-Brasil convidou a pesquisadora Priscila Lemes, Doutora em Ecologia e Evolução pela Universidade Federal de Goiás, para fazer um levantamento bibliográfico sobre estudos e pesquisas relacionando biodiversidade e mudanças climáticas no Brasil.
Mais pesquisas no Brasil
Desde o início do século XX, há estudos internacionais que avaliam a influência das variações do clima sobre as espécies. Já no Brasil, a análise da relação clima e biodiversidade ainda é recente. A quantidade de trabalhos sobre o tema só começou a ganhar volume a partir de 2007 – e por meio de modelagens. Ainda é necessária a realização de estudos com abordagens que envolvam a observação direta.
De acordo com o diretor executivo do WWF-Brasil, Mauricio Voivodic, um dos grandes desafios na relação entre mudanças climáticas e biodiversidade é saber se as espécies se adaptarão rápido o suficiente para acompanhar as alterações em curso – e as respostas serão diferentes de acordo com cada espécie. “A análise dos impactos negativos das mudanças climáticas na biodiversidade brasileira é fundamental para definir as medidas que precisamos tomar para enfrentar esse problema, com metas nacionais mais ambiciosas na defesa da vida”, afirma Voivodic.
Mapa dos estudos
O levantamento solicitado pelo WWF-Brasil encontrou 110 estudos sobre o tema. Desses, mais de 80 foram publicados nos últimos cinco anos. Há também um predomínio de estudos sobre a vulnerabilidade de plantas, animais e ecossistemas terrestres em relação à biodiversidade em ambientes marinhos e de água doce. Uma mostra disso é que as plantas são o grupo mais analisado, com 33 documentos. Já os peixes são menos estudados, com apenas dois estudos.
Em relação à localização dos estudos, foram encontrados 18 documentos com abrangência nacional, e o mesmo número com foco no bioma Mata Atlântica. O Cerrado é tema de 16 estudos, a Amazônia, de 11, e a Caatinga, de quatro. Foram encontrados 15 trabalhos científicos tendo como escopo a América Latina. Dois documentos não reportaram uma localização específica.
O levantamento Biodiversidade e Mudanças Climáticas no Brasildestaca ainda que as áreas protegidas são essenciais para a manutenção da biodiversidade e a mitigação dos efeitos das mudanças do clima. Porém, diferentes pesquisas questionam se as áreas protegidas já estabelecidas serão suficientes para salvaguardar a fauna e flora brasileiras dos biomas. Um dos motivos é que a perda e a fragmentação de habitats impõem obstáculos ao deslocamento das espécies para locais de clima mais adequado. A combinação de diferentes ameaças pode alterar a magnitude e o padrão espacial da perda da biodiversidade.
“Nos estudos levantados, fica clara a necessidade de medidas da redução da vulnerabilidade dos ecossistemas. No caso das florestas tropicais, além das mudanças climáticas, há a constante ameaça de desmatamento. É necessário haver um fortalecimento de ações de conservação e recuperação para aumentar a conectividade dos ecossistemas remanescentes, com a consolidação de unidades de conservação, refletindo uma gestão florestal integrada da paisagem”, afirma André Nahur, coordenador do Programa Clima e Energia do WWF-Brasil.
A publicação destaca resultados importantes para a biodiversidade e para a própria economia do país, com migração ou extinção de culturas ou espécies nativas importantes, como é o caso do pequi, típico da região centro-oeste, cuja diminuição trará implicações na economia de vários municípios, afetando também comunidades tradicionais que têm na agrobiodiversidade uma fonte de sustento.
“Outras espécies, como o jaborandi, a arnica ou outras que nem mesmo conhecemos ainda, são importantes para a área medicinal e correm risco de extinção local. Estudar e entender os efeitos das mudanças climáticas sobre a biodiversidade é essencial para identificar alternativas para lidar com a ameaça da perda e extinção de espécies, fundamentais para a qualidade de vida do ser humano”, afirma a pesquisadora Priscila Lemes.
Destaques do levantamento:
Plantas
  • Todas as populações naturais de jaborandi (Pilocarpus microphyllus), espécie de planta medicinal de diferentes usos (expectorante, tônico capilar, anti-reumático e tratamento oftalmológico) serão perdidas quando o clima se tornar menos adequado; contudo, se habitat naturais forem protegidos e restaurados, é provável que a espécie persista em longo prazo (Zwiener et al., 2017).
  • No Cerrado, as projeções do clima futuro devem ser especialmente severas para as plantas. No final do século, a mangaba (Hancornia speciosa), rica em vitamina C e cujo leite é fonte de medicamentos para tuberculose e úlceras, e a arnica (Lychnophora ericoides), famosa por sua ação anti-inflamatória, poderão ter mais de 90% da distribuição atual reduzida (Simon et al., 2013). Já o pequi (Caryocar brasiliense) poderá sofrer uma forte diminuição da diversidade genética (Nabout et al., 2011; Colevatti et al., 2011), resultando em grandes perdas econômicas para os extrativistas.
  • Na Mata Atlântica, que atualmente  tem menos de 12% da cobertura vegetal nativa, haverá redução de 25 a 50% na distribuição de 38 espécies lenhosas (Joly & Colombo 2010).
  • No caso do ipê-amarelo (Tabebuia aurea), muitos alelos têm potencial perdido como efeito do aquecimento global, resultando em perda de variação entre populações (Lima et al., 2017) e aumentando os riscos de extinção local.
Vertebrados
  • No Brasil, os pontos de maior ocupação humana possivelmente vão ser palco de maior tensão para a conservação. O tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) e o tatu-canastra (Priodontes maximus) talvez sofram redução na distribuição geográfica (Zimbres et al., 2012).
  • A combinação de mudança do clima e redução da cobertura florestal deve causar o declínio demográfico de todas as espécies do gênero Callicebus, primata de médio porte conhecido como sauá ou guigó, no leste do Brasil (Gouveia et al., 2016).
  • Na Mata Atlântica, o desmatamento pode ter repercussão imediata na riqueza de espécies, como no caso das aves (Loiselle et al., 2010), tornando-se mais grave quando combinada com as condições climáticas em curso. Com isso, prevê-se uma diminuição de até 45% da distribuição geográfica de aves endêmicas e ameaçadas (Souza et al., 2011).
    • Algumas espécies, como o jacu-de-barriga-castanha (Penelope ochrogasteri), terão reduções de até 80% na distribuição geográfica no clima atual -(Marini et al., 2009b).
    • O papa-mosca-de-costas-cinzentas (Polystictus superciliaris), deve ter uma distribuição menor em 22% a 75% (Hoffmann et al., 2015).
  • A serpente Phalotris lativittatus, endêmica do bioma do Cerrado, deve diminuir sua extensão territorial em até 70%, até 2050, além de um deslocamento para o oeste (Vasconcelos, 2014).
  • Os anfíbios têm características que os tornam mais sensíveis às alterações no ambiente, já que sua fisiologia e seu comportamento alteram diante da temperatura (Navas et al., 2013). Eles também precisam de água para a reprodução ou, pelo menos, de microambientes mais úmidos (Haddad et al., 2013). Isso significa que as alterações na precipitação e na disponibilidade de água devem reduzir sua biodiversidade.
Ecossistemas e serviços ecológicos
Os polinizadores, fundamentais na provisão de serviços ecossistêmicos essenciais aos sistemas naturais e à agricultura, também podem ser afetados pela mudança do clima. As mudanças climáticas podem afetar a distribuição geográfica, a abundância local e a sincronia no florescimento das plantas e na atividade dos polinizadores (Hegland et al., 2009).
Giannini e colaboradores (2017) analisaram a distribuição potencial de 95 espécies de polinizadores relevantes a 13 tipos de lavouras, cujas projeções apontam para a redução de áreas climaticamente adequadas a espécies de polinizadores e sua influência na produção de culturas. Considerando-se esse cenário, é prevista a desaceleração da produtividade nas plantações, independentemente do déficit de polinização.
Isto pode resultar em prejuízos à renda agrícola, reforçando a vulnerabilidade socioeconômica em face das alterações em curso (Giannini et al., 2017).
A abelha Xylocopa hirsutissima poderá ter uma severa perda de área adequada (93,7%) e se deslocar para a região norte do Cerrado (Gianinni et al., 2013).
Doenças emergentes
  • O aumento da temperatura e a incidência de secas, resultantes desse processo, podem alterar a distribuição, a densidade e a prevalência de doenças transmitidas por vetores (dengue, leishmanioses, malária, febre amarela etc.), e levar à adaptação de vetores e hospedeiros a novos ciclos de transmissão em vista do impacto das condições climáticas no desenvolvimento, no comportamento e na vida-útil de muitos insetos (Mills et al., 2010; Campbell-Lendrum et al., 2015).
  • A perigosa combinação de altas temperaturas, baixa disponibilidade de água e perda e fragmentação de habitat na Amazônia pode elevar a importância de vetores secundários do mosquito do complexo Albitarsis na transmissão da malária na América do Sul (Laporta et al., 2015). Além disso, dois vetores de malária no norte da América do Sul, Anopheles darlingi e Anopheles nuneztovari s.l., podem expandir suas distribuições geográficas em locais onde também houve a fragmentação do habitat (Alimi et al., 2015).
  • No Brasil, estima-se uma provável expansão do mosquito Aedes aegypti para o sul até 2050 (Cardoso-Leite et al., 2014).
  • Há evidências da existência de uma relação entre as condições climáticas atuais e futuras e o aumento da incidência de leishmaniose (Mendes et al., 2016; Piggot et al., 2014), assim como da influência da mudança do clima nos vetores da doença (González et al., 2010; Moo-Llanes et al., 2013).


Biodiversidade e Mudanças Climáticas no Brasil
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Do WWF-Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 23/05/2018